• Tiago Brugnara

PERMACULTURA - Quilometro zero.

Ter feito aqueles 17.000km pela patagônia chilena e argentina sozinho, só eu e a kombi, mudou alguma coisa em mim. Era final de 2019 e logo no começo da viagem eu percebi que tinha levado coisas demais. Acho que foi o primeiro aprendizado: é possível viver com muito menos do que a gente imagina. Eu não precisava de tantas coisas. Por aí, o pessoal tem chamado isso de Minimalismo.


Lago General Carrera. Chile

De todos os quilômetros que dirigi, os 1.200 da Carreteira Austral, no sul do Chile, foram os mais impressionantes e os que mais me fizeram refletir. Ver aquelas pessoas vivendo nessa estreita faixa de terra entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico, duas coisas que eu sempre respeitei: a montanha e o mar; e ver a vida delas limitada ao que a natureza deixa que seja, me fez repensar a minha relação com a ela. Ali, as pessoas passam os dias preocupadas com tempestades, se os vulcões estão calmos, se os glaciares "eternos" estão firmes ou se vão despencar e inundar os rios e destruir as estradas, se os ventos antárticos estão suaves ou furiosos.... enfim, essas pessoas passam os dias, e talvez a vida inteira, preocupadas com a sua interação com a natureza. Essa foi a minha segunda reflexão. Me parece que nós, seres humanos, somos feitos para nos preocupar com esses tipos de questões, foram milhares de anos se desenvolvendo e evoluindo essas habilidades, mas hoje passamos os dias pensando em boletos, em promoções no trabalho, em feeds nas redes sociais e se o sapato combina com o cinto.


Na pandemia fiquei mastigando essas ideias e decidi aprender sobre as formas mais naturais de se viver, de estar em maior contato e respeito com a natureza. Me isolei nas terras de um amigo em Urubici, SC. Levei comigo só o que conseguia colocar a kombi, deixando um monte de coisas pra trás, mais uma vez. Eu vivendo na kombi e ele na van dele, construímos uma cabana no meio das araucárias, sem energia elétrica, sem estrada, sem água encanada. Foi um exercício de simplicidade que eu nunca tinha feito.



Agora estou percorrendo lugares no Brasil fazendo cursos de bioconstrução e registrando todas essas técnicas e locais em vídeo. Já estive em Guaraciaba, SC, fiz um curso de bioconstrução com o Ricardo e conheci a minha primeira agrofloresta. (Aliás, recomendo essa visita). Depois fui até Ubatuba, SP, fiquei dois meses no Sítio Simple Life onde ajudei a construir alguns bangalôs em bambu. Também fiz mais um curso com um dos precursores do assunto, Marcelo Bueno. 


Já no caminho de volta para a casa, participei de um curso de Domos Geodésicos no Sítio Saramandala, perto de Sorocaba, SP. Dei carona para o professor do curso, Jorge Maron, um cara que está há 15 anos na minha frente nesse assunto. Já viveu em muitas comunidades alternativas e conhece praticamente todas as que existem no Brasil. 



Essa vai ser a minha jornada daqui pra frente. Vou continuar aprendendo sobre Bioconstrução, Permacultura e Agrofloresta. Estou registrando tudo isso em 4k para editar um documentário daqui um tempo.  


Viajar pra longe me fez olhar com mais clareza pra mim mesmo. Estar em situações extremas me fez apreciar o básico. Viajar sozinho me fez valorizar comunidades com propósitos claros. 

Pra mim viajar é sobre isso. E assim foram os meus primeiros quilômetros rumo a Permacultura.

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